Perdão?
Deixe-me passar.
Agora! É 'pra' já!
- Corria ela a gritar.
- Que horas são?
Perguntava ao luar.
O pé estava a latejar,
Cansada ali a bocejar.
O coração,
Palpitava sem parar.
Poderia ela esperar,
Sentada ali, por um soar?
Ilusão?
Não parecia ao fitar.
No horizonte apontar
Tamanho objeto a maquinar.
Oração.
Fazia ela a observar
A fumaça vinha avisar,
Que o trem estava a avançar.
Na estação
Ela ficava a imaginar.
Desesperada quis chorar,
Não conseguia acreditar.
Em pleno chão
Não pôde levantar.
Cansaço invadia ao suar
Até tudo se apagar...
Emoção.
Sentia ela ao acordar
Com um hálito quente aproximar.
E seus frios lábios encontrar.
A multidão
Não ousava atrapalhar
O casal ali se reencontrar
Olhavam só para "curiar".
...
Do sonho então.
Ela não quis largar.
- Um dia ele irá voltar!
Vocês verão, pode apostar!
Um batalhão
Parou naquele lugar.
Um soldado veio ajudar.
A moribunda se levantar.
Gratidão.
Tudo o que ela podia dar.
Uma carta ele veio entregar.
E em suas mãos o fez deixar.
Na solidão.
A guerra a fez ficar,
Quem ela escolhera amar
Tinha partido ao lutar.
Não!
Ele não a podia abandonar!
Não conseguia respirar.
Era demais para aguentar.
Paixão,
Era loucura pensar.
Dali mesmo se fez pular
E nos trilhos a viram se atirar.
- Susana Días (Ellen Fidelis)

