Pássaro de fogo


Estava tarde quando senti.
Meu passado em cinza ressurgir.
Quis fugir. Ir para casa.
Eu era uma FÊNIX em brasa.

O suor aumentava com o calor.
A pele queimava tamanho o pavor.
O fogo consumia todo o ar.
Agonia. Impedia-me respirar.

A mente entrava em combustão,
Os sentidos chegavam à erupção.
As lembranças continham o desespero.
A morte parecia exagero.

Até quando eu iria suportar,
Pesadas cargas carregar?
Minhas lágrimas já não mais curavam.
Meus dias no fim estavam.
            ...            
                                         
Fechei os olhos, tentei esquecer.
Das cinzas me vi renascer.
Meu desejo apesar de fatal
Fez da ESPERANÇA uma IMORTAL .

- Ellen Fidelis da Silva

(Para os povos antigos, a fênix simbolizava o Sol. Ao final de cada tarde se incendeia e morre, renascendo a cada manhã. Neste sentido, acreditavam que ela vivia constantemente em chamas, por isso era conhecida como Pássaro de Fogo. Diante da perspectiva da morte, ela era considerada como um símbolo de esperança, de persistência e de transformação de tudo que existe, um sinal da vitória da vida e da inexistência da morte como ela é atualmente concebida pela civilização ocidental. É de dizer também que suas lágrimas tem poder de cura, além da apacidade de carregar grandes cargas ao voar).

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